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quarta-feira, 3 de março de 2010

Masturbação




Não vamos aqui discorrer da naturalidade dela, mas comentar sobre os estímulos que nos levam a procurar este meio de satisfação sexual.

Vamos ver primeiro as definições que temos a respeito. No Aurélio encontraremos que masturbação é "Ato de masturbar (-se) – provocar o orgasmo em, pela fricção da mão; vício solitário, autoerotismo”, no Wikipedia diz que é o “ato da estimulação dos órgãos genitais com o objetivo de obter prazer sexual” e no dicionário de psicanálise do Laplanche e Pontalis veremos que para  Freud  “é a satisfação autoerótica das pulsões parciais; apaziguamento no próprio lugar em que se produz”.

Estímulos, satisfações, sensações de paz, calmaria, prazer.
Desde pequeninos somos embalados pela dualidade necessidades x prazeres. E são vários, desde o sugar o peito da mãe ou a mamadeira, o contato das mãos do cuidador que embala, acaricia, elimina o que incomoda (urina, fezes, vomito, dor – choro), efetua a higiene e olha. Sim, olhar, sim!

Necessitamos também  ser observados para que possamos desta forma nos constituir e nos reconhecer.
Muito bem, começa aí a delícia da masturbação. A partir do momento que podemos nos observar, reconhecer nosso corpo, perceber, reconhecer, suprir as necessidades, teremos condições de dar para ele meios para que se satisfaça e se alimente. Estamos cansados de ver  quanto necessitamos nos reconhecer, valorizar para seguir em frente e partir para a luta.

Muitas vezes nos abandonamos como reflexo da depressão e o descaso, apesar de que o próprio corpo constantemente nos sinaliza do que necessita. As dores, as indisposições e os excessos (seja ele para que lado for) marcam o caminho que devemos seguir para vencermos as barreiras que enfrentamos no quotidiano. Devemos dar a este corpo formas diversas para ele encontrar prazer, o que muitas vezes não sabemos e, no entanto, devemos tentar.
Quantos meios temos para dar estímulo ao corpo? Quanto escutamos pessoas confessarem que a partir do momento que começam a fazer algum tipo de exercício físico ou mesmo meditação, novas leituras a partir de si mesmos se obtêm?

Então...
Os mitos e tabus que cercam a masturbação, hoje temos ciência dos seus significados e quanto contribuíram para chegarmos até aqui, portanto temos condições de fazer uma outra leitura tanto da história, quanto da evolução humana x social, e a caracterização daquilo que podemos usufruir dos bens que o cuidado com a saúde e o corpo poderão nos trazer. A masturbação é uma delas, devemos comentar mais vezes, de mais esta forma de prazer, desmistificando o investimento intenso que acabamos por fazer da masturbação no contato com os órgaos sexuais em contraste ao restante do corpo. Afinal posso muito bem masturbar as demais partes de meu corpo e também obter prazer, pois afinal masturbação é sinônimo de estímulo.

Portanto devemos conversar mais com nossas crianças, jovens e adultos a respeito, explanar sobre os estímulos da vida, orientar para a busca dos prazeres, e ver na masturbação mais um dos prazeres que nos estimula para vencer.
Vencer o quê? Os preconceitos, as ignorâncias e as distorções.

Somos cuidados e logo depois ensinados a cuidar de nosso corpo, as maquiagens femininas que o digam, os estímulos esportivos masculinos e com o tempo acabamos perdendo tudo isso, ficando somente o "cumprir o dever" de pagar as contas até o final do mês. Assim devemos retomar os estímulos e começar a nos masturbar (procurar prazer próprio e apropriado). Devemos incentivar mais a leitura de nossos corpos e ouvir as necessidades dele, tanto quanto perguntar ao corpo para onde ele quer ser orientado. Friccionar os órgaos genitais também é bom e saudável, descobrimos até mesmo que ele evita diversas doenças neste mesmo corpo. Vamos conversar mais sobre a masturbação e ampliar as possibilidades de quem já sabe que com este estímulo organizamos os demais em nossa vida.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação Sexual na Escola

 

Polêmica armada na Inglaterra em torno da questão da educação sexual nas escolas para crianças de sete anos de idade fez alguns jornalistas e educadores questionarem a necessidade, a veracidade e o preparo da sociedade para tanto também aqui no Brasil.

Interessante notar é que a preocupação maior são os adultos, acometidos de intensa formação social, histórica e repressora em função de diversos motivos, entre eles os culturais e religiosos, o que mostra claramente que a malícia, o despreparo (desconhecimento?) e os tabus sexuais estão ainda muito enraizados na visão de sexualidade de uma sociedade. Pois, tanto lá como aqui, muito se preza, se pensa, se interdita e se consagra, em termos de comportamento sexual, como ‘verdades’ fatos que ainda estamos por vencer e que, pelo que se observa no dia a dia, gritam que essa atitude é urgente.


Mais interessante ainda é que, em nome do exercício da sexualidade e todos os seus adereços, nos esqueçamos que é mister que o questionemos, para assim dialogarmos com os exercícios da afetividade que também temos problemas para exercer. Em vista das perdas e dos achados necessários, acredito piamente que a Educação Sexual nas escolas não se deve iniciar aos sete anos de idade, mas aos dois anos.


Iniciamos demonstrar afeto para os nossos filhos desde quando ainda estão no útero materno e já nos preocupamos como será o seu amanhã. Manipulamos seus corpos desde tenra idade, dando-lhes de mamar, efetuando sua higiene e nas demonstrações de carinho e atenção. A criança desde muito cedo observa o comportamento dos mais velhos e procurará conduzir seus modos de agir em espelho, recebendo afeto e compreensão por seus instintos, desejos e necessidades de atenção, ela responderá com afeto e compreensão. Recebendo desrespeito e desatenção, devolverá o mesmo.


Conhecendo o corpo e os corpos, conhecendo a relação com o outro e a relação para com seu próprio corpo físico e psíquico, conhecendo as potencialidades da relação com o outro para a elaboração do conjunto e do respeito, faremos nossas crianças e jovens construírem não somente ganhos cognitivos, através da ‘não pressão’, como ganhos afetivos e sexuais em toda forma de relacionamento, amenizando a agressividade de que muito se reclama.


Precisamos pensar ,imediatamente, como poderemos auxiliar na formação dos gêneros e em seus funcionamentos daqui para frente, independente de como cada um deseja vivenciá-lo. Portanto,a questão não é a idade a ser iniciada a educação sexual, mas a forma como será abordada, como será o preparo dos educadores que participarão desta construção e, para além disso, a necessidade de trazer os pais para coparticiparem desta intervenção ou simplesmente formação e informação.


Educação Afetivo-Sexual já!


"Não há experiência de corpo que não seja também experiência de alma, o contrário sendo também verdadeiro". (Gilberto Freire)


 
Veja o vídeo com a reportagem sobre o assunto feita pelo Fantástico, Globo:

Escolas britânicas são obrigadas a dar aulas de educação sexual a partir dos 7 anos